
Em julho do ano passado fiz uma das melhores viagens da minha
piccola vida.
Comecei pela Itália. Depois de passar uma semana em Roma, fui para Firenze.
A princípio, ficaria apenas lá, mas como fui abrigada por um rapaz muito gentil que conheci no site de mochileiros
Couch Surfing, minha jornada na Toscana foi melhor que eu esperava, pois fui para diversas cidades e acabei fugindo do meu roteiro inicial.
Esse amigo mora em Castiglion Fiorentino, um
paesino que fica a 1h30 de Firenze, com apenas 12 mil habitantes.
Na primeira noite jantamos em Arezzo, em um restaurante muito agradável na Grande Piazza, com mesas na rua. Apesar do calor de quase 35ºC, meu amigo pediu a famosa
Ribollita para eu experimentar, um prato clássico toscano, de origem camponesa.
O garçom ficou espantado com o pedido, porque ninguém em sã consciência e gozando de um bom estado de saúde pediria esse prato em pleno verão. Eu começava a ficar com medo do que viria pela frente... mas quando o prato chegou, fervendo (ribollita = 'recozido'), eu entendi o porquê do espanto.
O prato nada mais é que uma sopa de vegetais como cenoura, salsão, cebola etc, que depois de pronta, são acrescentados pães velhos. O pão absorve o caldo e vira uma papa. Delicioso, mas eu suava em bicas. Lembrando que antes já tinha comido uma tábua gigantesca (era individual, tá?!) de antepastos toscanos, como queijos, crostatas (de figado, funghi, tomate e manjericão e trufa), salames e presuntos, melão... (que aliás foi o mais doce e laranja que já comi na vida, com uma fatia de presunto parma... humm!)
No dia seguinte fomos para San Gimignano, e almoçamos em Siena, na Piazza del Palio, onde acontece a famosa festa de mesmo nome. No charmoso restaurante Speranza, levei uma bronca do garçom por colocar queijo parmesão ralado no indescritível
Ravioli recheado de pecorino com manteiga de sálvia e alho poró. Ma dai, onde é que eu estava com a cabeça? O sabor do pecorino sumiria, damnnn!
No outro dia, mal consegui comer, pois o jantar prometia. Aliás, o jantar não prometia nada, e sim meus amigos que me prometeram um jantar com o que, para eles, há de melhor na Toscana, a
Tagliata.
A Tagliata é a Bistecca Fiorentina cortada muiiiito fininha. Fomos em um restaurante em Castiglion Fiorentino para experimentar. Era meio estilo churrascaria brasileira, cadeira de couro, TV ligada com som alto passando programas domenicais da RAI, as famílias reunidas, barulho... Antes da estrela da noite, um "pequeno" antepasto para começar. E vinho, claro.
Eis que chega a Tagliata com alecrim e pimenta verde, com batatas rústicas e salada de alface, cenoura e tomate.
Meu deus do céu. Nunca comi uma carne tão mal passada e tão boa em toda a vida. Era fina feito um carpaccio, e muito temperada.
Saímos de barriga cheia, e cheia de tênias italianas - por ter comido carne de porco mal passada -, andando felizes pelas ruas estreitas e desertas de Castiglion Fiorentino em meio a rãs e lesmas toscanas...
1 comentários:
Adoro suas histórias! Dá pra sentir todas as sensações...
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