quinta-feira, 24 de junho de 2010

take a ride with your (punk rock) idol.

A vida em Londres é muito engraçada. Você encontra pessoas que nunca pensou em encontrar antes, não só de outros países e outras culturas, mas até mesmo aquelas que julgava serem inatingíveis, como seu rockstar preferido ou o Spizz (Spizzenergi) puto da vida descendo do trem na estação de Bank na hora do rush ou o Max Splodge atravessando a rua em Angel com sua esposa numa segunda feira de manhã.

Não que eu seja groupie, mas se eu estou em uma gig do lado de alguém que toca numa banda que eu gosto de verdade, eu vou tentar trocar uma idéia pelo menos.

E aí as coisas tomam proporções engraçadas, ainda mais porque hoje em dia tem facebook, myspace etc etc, ferramentas que tornam a comunicação mais fácil e que aproximam todo mundo.

Aí eu adicionei o baixista e vocalista do The Boys, Duncan Reid, no facebook. Sem pretensões, mas porque achei legal ver as coisas que ele escrevia, divulgava etc. O Duncan também é ‘amigo’ de um amigo meu, e começou a comentar todos os ‘status’ dele, mesmo em português.

Comentou que queria aprender português, porque tem uma gig marcada ano que vem em São Paulo e Curitiba. Disse que ensinaria.

Em maio fui pra Veneza no Rebellion Festival, e sozinha, depois do terceiro pint, eu converso com todo mundo mesmo. Depois do incrível show do The Boys, encontrei o Duncan tomando sua cerveja lá embaixo, com a multidão, dando uma banda pelo galpão do Festival. Não hesitei e fui falar: “Oi, eu sou sua professora de português!” (bêbada). E ele foi super atencioso e simpático, me deu um super abraço, conversamos e tiramos fotos.

Sábado passado, fui a um pub em East London ver uma gig incrível com The Plague, Fast Cars, Stiffs e The Mattless Boys (The Boys sem o Matt..), Duncan me reconheceu, cumprimentou de longe, depois lá pelas tantas nos encontramos de novo e ele comentou que o baixo não estava funcionando e estava apreensivo que o show não rolasse. Mas deu tudo certo, foi tudo incrível, acima de tudo por ver essas bandas juntas e em um pub pequeno, num palco minúsculo e baixinho, cantar perto, dançar, sem tumulto e empurra-empurra dos grandes festivais.

A gig terminou lá pela meia noite e pouco, eu ainda fiquei lá papeando e tomando umas cervejas, quando decidi ir embora, porque o caminho até North London é demorado. Fui para frente do bar no ponto de ônibus, esperar o 277 até Highbury & Islington.

Observei todos os músicos indo embora, entrando em seus carros, guardando seus equipamentos. O Duncan passou com seu ‘carrinho’, me deu um tchau de longe, eu dei um tchau e fiquei lá esperando meu ônibus. Odeio bus-stop sem countdown (aqui em Londres a maioria dos pontos de ônibus tem um painel informando o horário que os ônibus passam).

Depois de uns cinco minutos, vejo o carro dele voltando em minha direção e me chamando... fui até lá ver o que ele queria, e ele perguntou para onde eu estava indo. “Archway”. “É meu caminho, entra aí!”. E pronto, lá estava eu no carro com Duncan Reid me dando uma carona. Surreal.

Perdemos-nos por Londres inteira, de Leyton à Hackney, mas depois de mais de meia hora, em que eu praticamente o entrevistei, achamos nosso caminho em direção à minha casa em Highbury & Islington.

No caminho, falamos sobre a mini tour pela América Latina no ano que vem, sobre minha vida em Londres, sobre quando ele se mudou para Londres em 1975, curtimos um Billy Idol juntos (ele aumentou o volume, eu perguntei se ele gostava e ele me disse que gosta do som, mas não do Billy), Foo Fighters, conversamos sobre música – Duncan disse que gosta de tudo que tenha uma guitarra alta e ouve um monte de coisas, mas os melhores são os Ramones. E eu disse que ouço The Boys.

Contou ainda de quando jantou no restaurante do chef super star Gordon Ramsay, dos detalhes da cozinha, pediu desculpas por estar perdido e um pouco bêbado.

E eu pensando que estava fazendo a melhor não-entrevista da minha vida inteira.

Chegamos perto da minha casa, disse que ele poderia me deixar ali que só teria que andar uma quadra. Agradeci, muita simpatia e carisma. E nos despedimos com um: “see you next week”.

É muita coisa envolvida.

4 comentários:

Adolfo disse...

Muito bom! Fazia tanto tempo que eu não entrava aqui! Quero saber da "next week" hahaha. Bjao e saudade!

Gabriela Cordaro disse...

que legals bolinha! adorei saber os detalhes! escreve mais... 3 posts para um ano de londres é muito pouco! bj

oursoazul disse...

que bom achar seu blog.
me fez lembrar porque londres era legal...
depois de 5 anos aqui tem horas em que eu meio que esqueco, meio que acabo taking things for granted.
:)
adorei!
beijos!

Isabela Cordaro disse...

oba, que bom que gostou! :)
eu entendo isso, mas as vezes tanta coisa acontece aqui e a gente demora para se dar conta que só aconteceu porque estamos em londres!
beijos e obrigada