A cozinha segue exatamente um esquema militar. Sempre tem um gritando, bravo, mandando os outros soldadinhos uniformizados fazerem tudo mais o rápido, direito e correr o quanto for necessário para que o prato chegue lindo e perfeito à mesa do cliente. Custe o que custar.
Numa escola francesa de cozinha, não seria diferente.
Outro dia, enquanto fazia meu Fricassé, ouvia o Chef gritar comigo: Isabelááá, reduz esse molho!; Isabelááá não mexa a panela!; Isabelááá limpe a sua praça!
E tudo que você tem que responder é: "Oui, Chef!".
Foi quando resolvi mexer minha panela e parar de reduzir meu molho e deixar de limpar minha praça porque precisava correr para servir o prato, achando, toda espertona, que o Chef pararia de me encher o saco. Mas o que não sabia é que eles vêem tudo. Chefs tem tipo uma visão raio x. E tudo o que eu ganhei foi a seguinte frase: "Isabelááá você parece a minha avó! Ouça o que eu falo, você é muito teimosa."
Ser comparada com a avó do Chef não fez muito bem para o meu ego, e eu então achei que tudo já estava perdido, e que estava fazendo a pior aula do mundo.
Quando finalmente consegui reduzir o molho o bastante e finalizar meu prato, fui apresentar ao Chef, sem esperanças de ouvir um elogio ou algo satisfatório.
Mas para a minha surpresa, o feedback foi muito positivo."Muito bem Isabelááá, ótima aula hoje. Seu molho está perfeito e muito saboroso, a cocção do frango na medida certa, você está de parabéns."
A técnica é a seguinte: massacre! E no final, mas bem no final mesmo, quando não resta mais nenhuma esperança, elogie. O que importa é que você saia feliz.
Aprenderam?
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
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